quarta-feira, 24 de maio de 2017

199 - notícias do futuro - I

*Por motivos óbvios, estou impedido de revelar minhas fontes.

EMPRESA CHINESA SHIGON GANHA MEGALICITAÇÃO PARA INSTALAÇÃO E OPERAÇÃO DO HIPERTREM RIO-SP

Maior empreendimento dos chineses no país, a obra, orçada em R$ 28,6 bi, deve ser concluída em 2031.


ÁREA DE CONSERVAÇÃO DA AMAZÔNIA É CRIADA NO ACRE

Parque Ecológico Bradesco não é suficiente para compensar a perda de floresta provocada pela chegada da soja na Amazônia acreana, segundo os ambientalistas, e deixa 150 hectares de terras indisponíveis para o cultivo, segundo os produtores.


PRESO TRABALHADOR RURAL QUE PROCESSOU SENADOR

No norte de Mato Grosso, José Antônio dos Santos, 39, foi condenado a três anos de detenção pelos crimes de calúnia e incitação à desconfiança quando no processo em que acusou a valorosa Alves Plantações, do senador Ranolfo Alves (PPB-MT) de superexploração do trabalho. "Não podemos deixar que trabalhadores de nossas fazendas e empresas, recebendo teto e alimento todos os dias, se voltem contra o modo de gerar riqueza para o país", disse o senador, ao saber da decisão da Justiça. Alves também diz que está articulando com partidos aliados no congresso para a aprovação de seu projeto de lei que retira o termo "superexploração" das leis trabalhistas. Esperançoso, promete: "Com fé no nosso bom deus, vamos evitar que esse tipo de confusão se repita".


CIENTISTAS COMPROVAM: MICROONDAS CAUSAM CÂNCER

Cientistas japoneses, após uma pesquisa de 3 anos, concluem o que muitos temiam: os aparelhos convencionais que temos na cozinha aumentam a probabilidade de contrair a doença. Eles descobriram relação entre os raios microondas e pelo menos sete dos tipos mais comuns de câncer. No mesmo estudo, os cientistas apontam os novos aparelhos NanoWave™ como inofensivos para a saúde humana, além da maior eficiência, já que provocam o aquecimento de maneira uniforme. Sorte a nossa, pois essas inovações asiáticas sem riscos à saúde acabaram de chegar no Brasil.



terça-feira, 2 de maio de 2017

198 - breve reflexão sobre nossa busca incessante pela atenuação da culpa encontrando outros culpados

Temos, e quando digo temos o sujeito não sei bem se se encontra nos brasileiros, os culturalmente descendentes da moral cristã, ocidentais de maneira de geral ou simplesmente seres humanos do pós-guerra, mas temos que parar com essa mania feia, muito feia, de tentar pegar a culpa e distribuí-la como se o perdão fosse encontrado no compartilhamento do erro por todos nós que viemos depois de Eva e portanto como repreender um só coitado?
Pensando assim talvez não seja tão loucura pensar que se a mulher trai o marido, a surra que ele lhe dá é menos forte ou se o prefeito anterior do outro partido também empregou a cunhada ou recebeu propina dos empresários locais então talvez o que o atual fez não seja tão reprovável...
Procura-se, arduamente, a culpa em quem sofre e parece que, sendo nós todos imperfeitos e culpados, em certa parcela, das mazelas do mundo, somos todos vítimas e algozes.
Mas convenhamos, nossas parcelas são tão distintas e tão assimétricas...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

197 - breve história de nós dois em três atos


[um: sinais]

Nem sei se antes daquela noite você tinha demonstrado alguma coisa. Sinceramente eu sou muito ruim em perceber sinais e isso é algo que sei sobre mim desde que me entendo por gente, essa minha incapacidade de entender os outros e daí desenvolvi o hábito de achar que talvez qualquer coisa seja alguma coisa, e na real tanto faz, porque não vou sacar mesmo... Todo possível sinal é um sinal de schrödinger e daí evito dar qualquer sinal porque como vou saber depois? Evitando ou não, talvez você tenha percebido, talvez tenha só arriscado, porque vai que você também não entendesse esses sinais, talvez tenha percebido e arriscado, mas, seja lá por que, resolveu chegar perto e pedir alguma coisa que já nem importa porque logo depois já conversávamos meio bêbados meio bestas encarando os olhos depois encarando os lábios depois se beijando de olhos fechados e lábios molhados.
E depois, naquela outra noite, e em todas aquelas outras noites depois da primeira em que nos vimos, sei que pouco importavam os sinais evitados, os mal-entendidos e os ignorados, porque me agradava ver seus olhos meio bêbados, ouvir suas palavras, incluindo as meio bestas e sentir seus lábios molhados.


[dois: café da manhã]

Todas essas noites tinham começos estranhamente diferentes mas o final parecido que envolvia nosso gozo misturado e um dos dois (você, geralmente) indo embora porque eu imagino que nenhum de nós tava pronto pra se encarar cara ao acordar. Por isso sei que tudo mudou naquela vez que te disse, não lembro bem se com palavras, que ficasse e você não quis ir.
Percebi que tudo tinha mudado não quando te vi adormecer na cama que durmo só, nem quando te vi acordar na cama que acordo só, mas quando me vi tentando adivinhar se gostava de café com leite ou puro, e se gostava de pão de milho que era o único que tinha sobrado na cozinha. Decidi, enquanto tomávamos café, que depois que fosse embora, que não pretendia que fosse logo, deveria te mandar uma mensagem pra saber se tinha chegado bem.


[três: olhares]

Tenho essa ideia de que nossos olhares trocados passaram, em algum momento, por algum motivo, de vontade para esquivas para quase um pedido silencioso de desculpas. Depois de quantas trocas de olhares que ficam por isso mesmo a gente deve esquecer o número do outro? Depois de quantos silêncios a gente deve apagar as longas e longas conversas e as fotos bobas do dia ou cheias de tesão da noite? Pensei nisso nos primeiros dias, quando deveria deixar de te considerar pros meus planos, e não cheguei a resposta alguma.
Parecia difícil, mas tão logo parei de pensar com tanto afinco, ela chegou, natural e leve, como quem diz: isso deveria mesmo ser complicado?

quinta-feira, 16 de março de 2017

196 - problemas de pedestres em climas tropicais

motoristas que veem a água
e veem quem vem
mas ainda assim vem vindo
e molham alguém:

vão se foder

quinta-feira, 9 de março de 2017

domingo, 5 de fevereiro de 2017

194 - Preso na Cadeia Alimentar pela Lei de Murphy

Percebi uma lagartixa, pequena e simpática, morando no meu banheiro.
Gosto de pensar que ela vai crescer forte comendo as muriçocas que me atormentam.
Mas do jeito que as coisas costumam ir nessa vida, capaz dela comer as aranhas que fazem isso. E depois ser morta sem motivo pelo meu gato.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

193 - tiro suave em peito largo

- Saudades, vamo se ver...
- Vamo sim... Mas vamo se ver por acaso num sábado à tarde, vai que nossos rolês batem e calhe da gente estar no mesmo pico e que a gente resolva dar uma esticada... Ou numa sexta caótica, em que o cara que eu queria experimentar tenha ido embora e o cara que você achou que tinha combinado não apareça e eu ainda tenha saudade de te beijar e talvez você ainda tenha saudade de mim... Num dia que eu esteja entediado e você também esteja entediado e eu veja você na minha lista de contatos e vai que dá coragem de te ligar casualmente e seu celular dessa vez não sumiu de novo... Quem sabe o contrário... Vamo marcar qualquer dia desses, quando um espaço na minha agenda supostamente apertada se encaixe num momento que esteja livre de suas outras dezessete ou dezenove prioridades...
E tomara que seja num daqueles dias depois daquelas noites que pensei em você antes de cair no sono...